Uruguai aprova legalização do cultivo e venda da maconha

ImageO Uruguai tornou-se nesta terça-feira o primeiro país do mundo a legalizar a produção, a distribuição e venda de maconha sob controle do Estado.

O projeto foi aprovado após 11 horas de discussão no Senado, após ter passado pela Câmara. A sanção do presidente José Pepe Mujica é tida como certa.

Segundo o governo, o objetivo da lei é tirar poder do narcotráfico e reduzir a dependência dos uruguaios de drogas mais pesadas.

A lei foi atacada pela oposição. O líder colorado Pedro Bordaberry disse que ‘não se pode fazer experimento com isso, são coisas muito sérias’.

Já o senador governista Ernesto Agazzi defendeu o projeto e foi irônico ao falar da estratégia de combate às drogas em vigor no mundo.

‘Não sei se a guerra às drogas fracassou. Para alguns ela tem funcionado muito bem, alguns têm ganhado muito dinheiro’, disse.

Mas como vai funcionar essa nova lei? Abaixo a BBC responde a várias perguntas para ajudar o leitor a entender como vai funcionar a liberação da maconha no Uruguai.

Quem vai supervisionar a ‘indústria’ da maconha?

Pela lei, o Estado assume o controle e a regulação das atividades de importação, produção, aquisição, a qualquer título, armazenamento, comercialização e distribuição de maconha ou de seus derivados.

Uma agência estatal, o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (IRCCA), ligado ao Ministério da Saúde Pública, será responsável, por sua vez, por emitir licenças e controlar a produção, distribuição e compra e venda da droga.

Em suma, todas as fases do processo terão, de alguma forma ou de outra, a presença do Estado .

Quem pode comprar e plantar maconha?

Todos os uruguaios ou residentes no país, maiores de 18 anos, que tenham se registrado como consumidores para o uso recreativo ou medicinal da maconha poderão comprar a erva em farmácias autorizadas.

Além disso, os usuários poderão ter acesso à droga de outras duas maneiras:

Autocultivo pessoal (até seis pés de maconha e até 480 gramas por colheita por ano) . Clubes de culturas (com um mínimo de 15 membros e um máximo de 45 e um número proporcional de pés de maconha com um máximo de 99). A lei limita a quantidade máxima que um usuário pode portar: 40 gramas. A legislação também determina o máximo que uma pessoa pode gastar por mês com o consumo do produto.

Ainda não está claro, no entanto, qual será o preço da maconha legal. Embora o governo pretenda competir com o narcotráfico estabelecendo preços de mercado – por exemplo, US$ 1 (R$ 2,30) por grama -, organizações de consumidores asseguram que essa meta será difícil de ser cumprida.

A erva também poderá ser cultivada para o uso científico e medicinal, que poderá ser obtida por meio de receita médica.

A lei também legaliza a produção da maconha no princípio ativo conhecido como cânhamo industrial (presente em alguns hidratantes, por exemplo).

Produtores também poderão cultivar a erva, desde que autorizados pelo Estado.

Como as licenças são concedidas ?

De acordo com dados do Conselho Nacional de Drogas do Uruguai, 20% dos uruguaios com idade entre 15 e 65 anos usaram maconha em algum momento de sua vida e 8,3 % o fizeram no último ano.

O plantio de 10 a 20 hectares (em torno de 15 vezes a dimensão de um campo de futebol) de cannabis em estufa seria suficiente para atender a demanda nacional, de acordo com estimativas oficiais preliminares.

De acordo com uma pesquisa realizada por uma consultoria privada, 63% dos uruguaios são contra a lei de regulação da maconha, uma proporção semelhante à registrada há um ano, quando o presidente do Uruguai, José Mujica, apresentou a proposta .

O projeto de lei não especifica quais serão os critérios para outorgar licenças, qual será o custo da erva ou quem estará autorizado a cultivar o produto.

Por outro lado, a regulação estabelece a criação dos registros correspondentes para a produção, o autocultivo e o acesso à maconha por meio de farmácias.

Esses registros serão guardados pela lei de proteção de dados sensíveis ou lei do habeas datas e serão administrados pelo Instituto de Regulação e Controle de Cannabis.

De acordo com estimativas do governo, o volume previsto de produção da maconha é de 26 toneladas anuais, o equivalente ao total consumido no mercado negro.

Segundo afirmou à BBC o diretor do Conselho Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Calzada, o governo prevê outorgar inicialmente poucas licenças a produtores de maconha (em torno de 20) de forma a garantir a segurança e os níveis de colheita necessária para atender a demanda.

As primeiras licenças devem começar a ser concedidas em meados do próximo ano.

Qualquer plantação não autorizada deve ser destruída com a intervenção de um juiz e o IRCCA será responsável pela implementação das sanções caso haja violações das normas de licenciamento.

Como a legalização afetará outros países?

A maconha será produzida em solo uruguaio, mas as sementes poderão ser provenientes de outros países.

Além disso, o Uruguai poderá se voltar para o mercado global para vender suas sementes e poderá exportar os seus produtos para outros países onde o uso medicinal ou recreativo da droga é permitido.

Segundo Calzada, ‘há um movimento interessante de produtores, agricultores, tanto a nível nacional como internacional, que excede em muito as licenças que o Estado irá proporcionar.’

‘Há empresas interessadas e também alguns casos governos, que estão interessados em licenças para o uso medicinal’, diz ele.

Alguns países, entretanto, como o México e o Brasil, demonstraram preocupação com a aprovação da lei.

‘Em nenhum momento tentamos convencer nenhum país do que estamos fazendo aqui’, diz Calzada, ‘mas queremos dar a garantia a outros países de que a maconha produzida legalmente aqui não vai acabar no mercado negro. Este é o nosso compromisso’.

O consumo deve aumentar?

Segundo o governo, a medida não ampliará o mercado de maconha: a lei simplesmente regulariza o uso para não incentivar o consumo.

No entanto, os opositores da lei temem quem, com a legalização, mais jovens queiram consumir a droga.

O governo já anunciou que vai desenvolver planos para prevenir o consumo e proibiu a publicidade e venda do produto para menores de 18 anos.

A lei também determina a criação de uma Unidade de Monitoramento e Avaliação da aplicação e cumprimento da nova legislação.

Segundo o governo, as receitas obtidas com a legalização da maconha serão destinadas ao financiamento de programas de prevenção, reabilitação e outros fins sociais .

A indústria de cannabis pode crescer?

Enquanto o governo diz que a prioridade é roubar o negócio do tráfico de drogas e promover a prevenção, algumas pessoas disseram que a lei poderia até trazer benefícios econômicos para o país.

De acordo com o grupo que reúne as organizações a favor do projeto, o Regulación Responsable, ‘oportunidades de negócios para os produtores nacionais, farmácias e outros atores envolvidos na cadeia de produção são abertas.’

‘Nos últimos anos, o mundo iniciou um processo de pesquisa e geração de conhecimento sobre a maconha , especialmente na área médica e farmacêutica’, disse à BBC Martin Collazos, do Regulación Responsable.

‘Há cannabis com fins psicoativos, mas também industriais: produção de tecido a base de cânhamo, papel, biocombustíveis e infinitas possibilidades de incorporar a produção de mais-valia da cannabis’, diz ele .

Atualmente, estima-se que o mercado de maconha ilegal no Uruguai movimente cerca de US$ 30 milhões (R$ 70 milhões) por ano.

 

Fonte: g1.com

O Oriente Médio e os conflitos árabes-israelenses

No Oriente Médio surgiram grandes civilizações e religiões que ainda são seguidas em todo mundo. Atualmente no Oriente Médio sua população encontra-se dividida em várias etnias, falam pelo menos seis línguas diferentes e professam três religiões distintas. Para entender os conflitos destes povos como árabes e judeus, suas alianças e disputas, é preciso conhecê-los de fato.

      Quando Maomé, no século VII, fundou a religião muçulmana, não se imaginava que um dia esta crença seria de praticamente todo o Oriente Médio e de uma boa parte do mundo além da Península Arábica. Os árabes eram pessoas que viviam na Península Arábica e acreditavam que Maomé tinha lhes revelado uma nova fé, adotando Meca como capital religiosa e o Corão como livro sagrado. Após a morte do profeta, tropas árabes, através da expanção militar, propagou em pouco tempo a fé islâmica em uma grande faixa de terra.

      Nesse império, o islamismo se tornou a religião oficial e a língua árabe o principal meio de comunicação. Com isso a maioria dos povos conquistados foram arabizados e islamizados, com algumas exceções dos territórios europeus, da Ásia Menor e do Império Persa. Dentro deste império também existiam cristãos e judeus, que tinha o direito de administrar sua próprias comunidades e professar seus cultos livremente, mediante o pagamento de um imposto especial.

      São considerados árabes aqueles que se identificam com a língua, a cultura e os valores dos árabes e muçulmanos são aqueles que seguem a religião do islã. Quase o mesmo pode ser dito dos judeus. 

      No final do seculo XIX, surgiu o sionismo ou movimento que pregava a volta do povo judeu a Sion, colina de Jerusalém que simboliza a Terra Prometida. Foi marcado pelo crescente anti-semitismo europeu e pela falência da política de integração dos jedeus à sociedade européia, colocada em prática por vários países durante o século XIX.

      Em contraposição ao anti-semitismo europeu que a ideia de construção do Estado Judeu ganhou força. Movimento nacionalista como muito que sacudiam a Europa naquele momento, a versão do sinonismo pregava a criação de um Estado laico, não necessariamente na Palestina, que solucionasse o problema de segurança do povo judeu. No entanto, até meados do do século XX, quando o anti-semitismo já havia se tornado política oficial na Alemanha nazista, a maioria dos judeus desconsideravam esta proposta, ainda confiante na possibilidade de integração à sociedade européia, na emancipação pessoal, ou adotaram uma solução de imigração individual. Nem todos os judeus, portanto, tornaram-se sionistas.

       Ao final do século XIX, aumenta a imigração sionista em direção à Palestina. Neste momento eram raras as cenas de violência entre árabes e judeus sionistas. Muitos judeus chegaram à Palestina imbuídos do ideal de cooperação mútua e realmente acreditavam estar levando à região progresso e civilização. No início, os árabes palestinos em muito se beneficiaram com este novo quadro, desfrutando do mercado de trabalho aberto com a criação de comunidades agrícolas coletivistas e com a existência de novas cidades. Até o momento do crescimento da imigração judaica na região, os palestinos não possuíam qualquer tipo de reivindicação territorial de cunho nacionalista. Após a divisão do Oriente Médio pelas potências vitoriosas na 1ª Guerra, criando artificialmente países árabes e a afirmação do compromisso de fundação de um “Lar Judeu”, os palestinos fundam seu próprio movimento nacionalista, baseados no argumento de que se os judeus tinham direito aquela terra, eles também o tinham, por estarem na região há mais tempo que os sionistas. Pode-se afirmar que o movimento sionista motivou o nacionalista palestino. Algumas tentativas de construir uma base que permitisse uma convivência mútua durante as décadas de 1920 e 1930, judeus e palestinos deram início a uma disputa sem fim, até os dias de hoje, e os motivos que levam ao prolongamento deste conflito não são difíceis de entender; ambos tem objetivos semelhantes, e se acham dentro de seus direitos. Em 29 de novembro de 1947, as Nações Unidas decidem pelo fim do mandato britânico sobre a Palestina e divisão da região em dois estados autônomos e independentes, um árabe palestino e um judeu. A cidade de Jerusalém, cobiçada por ambos os lados, seria internacionalizada. Os sionistas aceitam os termos da partilha, mas os palestinos a recusam.
       No momento em que o plano de partilha foi tornado público e com a divulgação da data do fim do mandato britânico, os choques entre palestinos e judeus acentuaram-se. Quando da proclamação oficial da criação do Estado de Israel irrompeu um ataque dos países árabes ao redor. Com um exército mais bem armado e o aumento contínuo do contingente de pessoal por conta da chegada de imigrantes vindos da Europa, Israel leva a melhor. Também na área política a superioridade israelense era evidente, até porque seus inimigos formavam um bloco nada coeso.
      Vários movimentos surgiram no mundo árabe como projeto de união do povo de Maomé, uns defendiam que a unificação deveria acontecer em torno da observância dos preceitos religiosos, outros defendiam que a união dos árabes com o objetivo da criação de um estado único fosse feita através da cultura e da história e dos interesses em comum.
      Até 1948 o nacionalismo árabe é um projeto fraco e fragmentado A partir do fim da guerra, o próprio sionismo e a Guerra Fria dão forte impulso ao movimento nacionalista árabe, conferindo-lhe um cunho popular inexistente até então. Em 1956, sob a liderança de Nasser, o Egito realiza a construção da barragem de Assuã e a nacionalização do canal de Suez. Este ato foi o estopim para o início de um conflito que envolveu as principais potências mundiais, que por este motivo suspenderam um empréstimo do Banco Mundial para a construção da barragem de Assuã. Nasser revidou, nacionalizando a companhia que gerenciava o canal, que até então era aberto a todas as nações e era administrado pelos ingleses, que o consideravam vital para manutenção de seu poder marítimo e interesses coloniais. Esta atitude mereceu uma resposta rápida: que veio através de um ataque de Israel, com o apoio da França e da Inglaterra, realiza pequenos ataques no Egito, na região da Faixa de Gaza, adotando a doutrina militar do ataque preventivo. Em pouco tempo Israel toma o deserto do Sinai e chega às portas da cidade de Cairo. A intervenção da ONU não tardou para resolver o conflito, que no entanto, deixou marcas por toda à parte. A aliança entre Israel, França e Inglaterra só veio a reforçar o mito árabe de que os israelenses seriam o trampolim do imperialismo ocidental encravado na região. Nasser tira proveito desta situação consolidando seu nome como a maior liderança do mundo árabe, dando impulso ao projeto de unificação de uma única nação árabe. No início dos anos 60, a política de Nasser fez com que o Egito fosse o principal defensor dos interesses árabes nas relações com o Estado de Israel. Até o ano de 1964 também os palestinos tinham no líder egípcio seu principal porta voz, também neste ano uma conferência das lideranças árabes criou a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), ficando sob o comando egípcio e com forças ligadas aos exércitos árabes vizinhos a Israel. Ao mesmo tempo, grupos de palestinos educados no exílio começam a agir na organização de movimentos genuinamente palestinos, criando assim o Fatah, liderado por Iasser Arafat, que defendia o confronto direto com Israel e a independência em relação aos outros países árabes, além de outros movimentos menores também defensores da luta armada e da utilização de táticas terroristas. No ano de 1967 toda a região parece um barril de pólvora preste a explodir, com atitudes hostis, tanto por parte dos judeus israelenses como também por parte dos árabes e palestinos. Toda esta tensão culmina com a decisão de Israel de, no dia 05 de junho de 1967, iniciar um ataque contra alvos árabes, em poucos dias, toda força aérea egípcia foi destruída e Israel ocupa toda a Península do Sinai, a Cisjordânia e as Colinas de Golan (até então pertencentes à Síria) e ainda anexa Jerusalém ao seu território, a este conflito deu-se o nome de Guerra dos Seis Dias. Este conflito determinou a mudança definitiva do equilíbrio de forças no Oriente Médio, passou a ser claro que Israel era o maior poderio militar da região, e que as novas fronteiras conquistadas, lhe dariam agora maior segurança. O único problema era que essas novas fronteiras lhe dariam maior controle sobre os campos de refugiados, agora dentro de suas fronteiras, e este controle faria com que se fortalecesse o sentimento de identidade nacionalista palestina, gerando um maior número de ataques terroristas contra alvos israelenses. O maior de todos os ataques acontece durante as olimpíadas de 1974 em Munique, quando palestinos invadem a vila olímpica e matam diversos atletas israelenses.
      O sentimento de vergonha e ódio crescente entre os árabes pelas seguidas derrotas diante de Israel na tentativa de recuperar os territórios perdidos, Faz com que Egito e Síria invadam Israel no Yon Kippur no ano de 1973. Apesar das perdas que sofre, Israel consegue contra-atacar, avançando em território egípcio até as portas da cidade de Cairo. Um acordo político encerra o conflito, mas este conflito marca, principalmente, pelo fato de que pela primeira vez os países árabes utilizam o petróleo como arma política. Diante disto e visando salvaguardar seus próprios interesses os Estados Unidos passam a interferir mais na região, como mediadores de um passível acordo entre árabes e israelenses. A principal tentativa foi o encontro entre palestinos e judeus em Camp David sob a mediação do presidente Jimmy Carter, que embora saudado em todo o mundo como início da aproximação que colocaria um fim aos conflitos, foi marcado por manifestações hostis em todo o mundo árabe, e com a rejeição dos palestinos que não haviam sido consultados sobre os termos do acordo.
       A partir da década de 80, novos fatores passam a influenciar na seara política do Oriente Médio, criando novos focos de conflitos, tais como aumento das tensões entre judeus e palestinos e conflitos no Golfo Pérsico. Com o resultado da Revolução Islâmica no Irã e temeroso das conseqüências desta revolução em seu próprio território, também de maioria xiita, o Iraque decide invadir o Irã, provocando mais uma vez a cisão entre os países árabes, onde o apoio aos países em conflito ficou dividido. O confronto entre Irã-Iraque também revelou ao mundo a crescente importância do petróleo na região; as grandes potências só intervieram quando petroleiros foram atingidos, se destruídos, poderiam prejudicar o suprimento de combustível ao Ocidente. As rivalidades, tensões e mais uma vez a busca de solução para seus próprios problemas, fazem com que o Iraque invada o Kuwait. Liderada pelos EUA, com autorização da ONU, uma grande coalizão internacional ataca o Iraque em 1991. o Iraque busca o apoio dos povos árabes lançando mísseis contra Israel na esperança de que este revidasse, motivando assim a entrada de outros países árabes sem apoio. O plano fracassa porque o governo israelense é orientado a não revidar, para que não se visse envolvido no conflito. Diante disto às forças iraquianas são rapidamente derrotadas.
       Desde o início dos anos, quando da escalada das ações terroristas palestinas fica evidente ao mundo que a não solução traria conseqüências desastrosas para ambos os lados e provavelmente ao mundo. Claro que nem todos concordam com isso, e as maiores resistências a um acordo estavam justamente entre palestinos e judeus. A partir de 1977, a colonização dos territórios ocupados tornou-se política oficial do governo israelense.e a manutenção dos territórios ocupados vistos como primordiais à política de segurança nacional. Esta política israelense se fortalecia à medida que ocorriam os ataques da guerrilha Palestina. Após o acordo de Camp David o Egito deixa de ser um aliado da OLP, enfraquecendo-a. Esta então muda a direção de suas atitudes passando a trabalhar com a possibilidade de um acordo via diplomacia, mas essa mudança não agrada a todos os palestinos, já que existiam grupos que não desejavam abandonar a luta armada.
       Em 1982 Israel invade o Líbano, sob a desculpa de eliminar focos de terroristas, mas com excessivo entusiasmo, termina por invadir a cidade de Beirute causando grande número de baixas entre a população civil e ao próprio exercito israelense e a um grande número de palestinos. A OLP entra em crise, quando suas táticas de negociação deixam de seduzir suas bases, principalmente os habitantes da Cisjordânia e a faixa de Gaza. O desespero desta população levou a “Intifada” (ressurreição), a Revolução das Pedras, que começou espontaneamente, tomando de surpresa o governo de Israel. Afinal armados com paus e pedras, jovens palestinos passaram a enfrentar as tropas israelenses, que reagiam aos ataques atirando contra os palestinos, a esta desproporção de forças, utilizam-se os principais grupos de oposição ao Estado de Israel, como arma de propaganda, buscando a simpatia do mundo para sua causa. Outros grupos, como o Hammas, não se preocupam com o uso político da intifada e passam a tomar parte dos ataques.
      Temendo perder de vez a liderança da população, a OLP gira radicalmente seu posicionamento: renuncia ao terrorismo; reconhece o Estado de Israel e enfatiza a necessidade da criação do estado palestino. Esta mudança de atitude surpreende o governo israelense que se vê pressionado a mudar sua política em relação aos palestinos. Com o conflito no Golfo onde somente a OLP apoiou o Iraque, Israel começa a deixar sua posição de isolamento na região.
       A primeira conferência de paz acontece em 1991. Entretanto somente com a chegada ao poder de Itzhak Rabin, as intenções de paz começam a dar resultados. Acontece o encontro entre Rabin e Arafat. Um acordo foi firmado e previa a autonomia palestina sobre Gaza e a cidade de Jericó Com a retirada do exército de Israel. Aos poucos, a autonomia alcançaria outras áreas, desenhando assim a área da autoridade nacional Palestina. O bom clima dado pelo acordo de paz alavanca a aproximação de Israel com outros países árabes como o Marrocos, a Tunísia e a Jordânia. Entretanto nem tudo corria satisfatoriamente, Arafat e Rabin enfrentam a insatisfação dentro de seus territórios, vindo principalmente dos fundamentalistas, culminando com o assassinato do primeiro ministro israelense.

O funeral de Nelson Mandela

O funeral de Nelson Mandela terminou nesta sexta-feira em Pretória às 17h30 (local, 13h30 em Brasília) com milhares de sul-africanos que esperavam ainda poder entrar no recinto e que não conseguiram se despedir de seu herói nacional. Cerca de 60 mil pessoas concentradas desde primeira hora nos pontos de acesso ao edifício do governo sul-africano, onde acontecia o velório, não puderam apresentar hoje seu respeito a Mandela, de acordo com fontes policiais citadas pela rede de televisão estatal SBC. saiba mais Excesso de público leva polícia a fechar acessos ao velório de Mandela Exclusivo: bairro onde Mandela morou vive descaso do governo há 70 anos Exército isola vila onde Mandela será enterrado no domingo Governo se desculpa por falso intérprete no funeral de Nelson Mandela Após três dias de velório, nas quais cem mil pessoas passaram pela capela, os restos mortais do ex-presidente sul-africano serão transferidos amanhã de avião de Pretória até Qunu, no sudeste do país, onde Mandela cresceu e será enterrado no domingo. A multidão que hoje chegou a Pretória ultrapassou todas as previsões e a capacidade das autoridades da capital no terceiro e último dia de velório. Só três horas depois da abertura ao público da capela, as 08h (local, 4h em Brasília), a polícia de Pretória decidiu fechar os acessos ao recinto governamental onde estava o caixão de Mandela. O desejo de se despedir do pai da democracia sul-africana provocou uma corrida na qual uma menina de sete anos caiu e quase foi esmagada. As instalações voltaram a abrir ao público por volta das 16h20 (local, 12h20 em Brasília), quando um novo grupo de pessoas pôde entrar no anfiteatro onde tinha está o caixão de Mandela desde quarta-feira passada. Finalmente, a capela ardente foi fechada por uma hora e meia antes do entardecer, seguindo o desejo da família de que o cortejo fúnebre não viajasse após o pôr-do-sol. O corpo de Madiba, (apelido carinhoso do ex-presidente da África do Sul em referência ao clã do qual fazia parte), passará a noite no Hospital Militar Um de Pretória e será tranferido amanhã à base aérea militar de Waterkloof. Dali o corpo de Mandela irá para o aeroporto de Mthatha, no Cabo do Leste, às 10h45 (local, 06h45), para chegar a Qnuu às 12h45h (local, 10h45 em Brasília), informou o porta-voz da família Temba Matanzima. Madiba morreu há uma semana aos 95 anos em sua casa em Johanesburgo, após um longo período doente por causa de problemas respiratórios.

 

Retirado de http://noticias.terra.com.br/mundo/africa/nelson-mandela/velorio-de-mandela-acaba-sem-que-milhares-tenham-se-despedido,dab6401d0bfd2410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Um Trecho sobre a Guerra Fria

Embora o aspecto obvio da Guerra Fria fosse o conflito militar e a cada vez mais frenética corrida armamentista, as armas não foram usadas. As potencias nucleares se envolveram em três grandes guerras. Abalados pela vitória comunista na China os EUA e seus aliados intervieram na Coreia para impedir que o regime comunista do norte daquele pais se estendesse ao sul.

O matéria caro e de alta tecnologia da competição das superpotências revelou-se pouco decisivo. A ameaça constante de guerra produziu movimentos internacionais de paz. Os movimentos pelo desarmamento nuclear tampouco foram decisivos, embora um movimento contra a guerra, o dos jovens americanos contra o seu recrutamento para a Guerra do Vietnã se mostrasse mais eficaz.

Quase de imediato a guerra fria polarizou o mundo controlado pelas superpotências em dois campos marcadamente divididos. No ocidente os comunistas desapareceram do governo e foram sistematicamente marginalizados na política. Para enfrentar os EUA criou-se uma Internacional Comunista, que foi discretamente dissolvida quando as temperaturas internacionais baixaram.

Na política dos Estados europeus alinhados aos EUA todos os partidos se uniam em sua antipatia aos soviéticos. Os EUA criaram no Japão e na Itália o que equivalia a um sistema unipartidário permanente. Em Tóquio encorajou a fundação do partido liberal democrata e na Itália insistiu na total exclusão do partido de oposição natural ao poder.

Felizmente para a paz de espirito dos aliados dos americanos a guerra eliminaria o panorama público aceitável o nacionalismo, o socialismo, o fascismo, o declarado nacionalismo japonês e grande parte do setor direitista e nacionalista que compunha o espectro político. A base política dos governos ocidentais da Guerra Fria ia a esquerda social democrata à direita não nacionalista moderada. Ai os partidos aliados a Igreja Católica e mostram uteis, pois seus partidos democrata- cristãos tinham tanto um solida folha de serviços antifascistas quanto um programa social.

O efeito da Guerra Fria provocou a criação da Comunidade Europeia, com todos os seus problemas: uma forma de organização sem precedentes, ou seja, um arranjo permanente para integrar as economias, e em certa medida os sistemas legais de vários Estados-nação.

A Comunidade, como tantas outras coisas na Europa pós- 1945, era ao mesmo tempo a favor e contra os EUA. Ilustra tanto o poder e a ambiguidade daquele pais quanto os seus limites. Para a França a Alemanha continuava sendo o perigo principal, e o temos de uma potência gigantesca revivida na Europa Central era compartilhado, em menor medida, pelos Estados europeus. Havia também temores em relação aos EUA, um aliado indispensável contra a URSS, mas não confiável, podia pôr os interesses da supremacia americana no mundo acima de tudo mais.

O Plano Marshall, um projeto maciço para a recuperação europeia foi lançado e assumiu.  Mais uma vez o plano americano original para uma economia pós guerra de livre comercio, livre conversão e livres mercados, dominada pelos EUA. O plano mostrou problemas de pagamento da Europa sedentos do dólar cada vez mais escasso. Tampouco estavam os EUA em posição de impor aos Estado europeus seu ideal de um plano europeu único.  Para os americanos uma Europa efetivamente restaurada, parte da aliança militar antissoviética quer era o complemento logico do Pano Marshall.

Os franceses propuseram sua própria versão de união europeia. a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, que se transformou numa Comunidade Econômica Europeia ou Mercado Comum, depois simplesmente Comunidade Europeia e finalmente União Europeia. A comunidade europeia foi estabelecida como uma alternativa ao plano americano de integração europeia. O fim da Guerra Fria iria solapar a fundação sobre qual se haviam erguido a Comunidade Europeia.

Aos europeus, eram suficientemente fores para dominar seu comportamento internacional. À medida que a guerra fria se estendia, abria-se política que Washington um crescente fosso exercia na aliança e o enfraquecimento da predominância econômica dos EUA. O peso econômico da economia mundial passava então dos dos EUA para as economias europeias e japonesa, as quais os EUA julgavam ter salvo e reconstruído. O dólar enfraqueceu.

A estabilidade do dólar, e com ela a do sistema de pagamento internacional, não mais se baseava nas reservas dos EUA, mas na disposição dos bacos centrais europeus de não trocar dólares por ouro, para estabilizar o preço do metal no mercado. Chegou ao fim o seu controle pelos EUA.

IV

No início da década de 60, a Guerra Fria pareceu dar alguns passos hesitantes em direção à sanidade. Longe de ter de lutar contra a crise social, os países da Europa Ocidental começaram a observar que estavam na verdade vivendo uma era de inesperada e disseminada prosperidade.

O resultado liquido dessa fase de ameaças e provocações mutuas foi um sistema internacional relativamente estabilizado, e um acordo tácito das duas superpotências para não assustar uma a outa e ao mundo. Os anos 60 e 70 testemunharam algumas medidas significativas para controlar e limitar as armas nucleares: tratados de proibição de testes, tentativas de deter a proliferação nuclear, um tratado de limitação de armas estratégicas.

Em meados da década de 1970 , o mundo entrou no que se chamou de segunda guerra fria. Coincidiu com uma grande mudança na economia mundial, o período de crise a longo prazo. Os EUA foram visivelmente menos afetados pela nova crise econômica que a Europa.

Dois acontecimentos inter-relacionados pareciam alterar o equilíbrio das superpotências. O primeiro era a presumida derrota e desestabilização nos EUA. A Guerra do Vietnã desmoralizou e dividiu a nação em meio a cenas televisadas de motins e manifestações contra a guerra; destruiu um presidente americano, levou a uma derrota e retirada universalmente prevista, demonstrou também o isolamento dos EUA.

Se o Vietnã não bastasse para demonstrar o isolamento da potência a guerra entre Israel e as forças de Egito e Síria, abastecidas pelos soviéticos, mostrou isso de forma mais evidente. Qunado Israel apelou aos EUA para mandar suprimentos depressa, os aliados europeus, se recusaram até mesmo a permitir o uso das bases aéreas americanas em seu território para esse fim.

O Vietnã e o Oriente Médio enfraqueceram os EUA, embora isso não alterasse o equilíbrio global das superfícies. Uma nova onda de revoluções surgiu nua grande parte do globo, e parecia que poderia mudar o equilíbrio das superpotências e favoravelmente aos EUA. A nova onda de revoluções, todas provavelmente contra os regimes conservadores dos quais os estados unidos haviam feitos os defensores globais, deu a URSS a oportunidade de recuperar a iniciativa.

Muito antes dos americanos explicarem que os EUA haviam decidido ganhar a guerra fria levando seu antagonismo a bancarrota, o regime de Brejnev começara a conduzir a si próprio a falência, mergulhando num programa de armamentos que elevou os gastos com defesa numa corrida sem sentido. O fato de a URSS não aceitar mais seu confinamento regional pareceu aos adeptos da guerra fria americanos uma prova clara que a supremacia ocidental poderia acabar se não fosse reafirmada por uma demonstração de força. O poder americano continuava maior que o soviético.

Não havia indícios de que a URSS queria uma guerra, quanto mais estivesse planejando um ataque militar ao Ocidente. Os governos americanos, sobretudo nos primeiros anos terão de avaliar a profundidade dos traumas subjetivos da derrota, impotência e ignomínia pública que laceraram o estado político americano na década de 1970, e que se tornaram ainda mais dolorosos devido à aparente desordem na Presidência americana.

A presidência de 1980(Ronald Reagen) só pode ser entendida como uma tentativa de varrer a mancha da humilhação sentida demonstrando a inquestionável supremacia e invulnerabilidade dos EUA, se necessário com gestos de poder militar. No fim o trauma só foi curado pelo colapso final, imprevisto e inesperado, do grande antagonista, que deixou os EUA sozinhos como potência global. A cruzada contra o “Império do Mal” a que -pelo menos em público- o governo do presidente Reagan dedicou suas energias destinava-se a agir mais como uma terapia para os EUA. Encerrou-se um extenso período de governo centrista e moderadamente socialdemocrata, quando as políticas econômicas e sócias da Era de Ouro pareceram fracassar. Como a URSS ia desmoronar pouco antes do fim da era Reagan, os propagandistas americanos naturalmente afirmariam que fora derrubada por uma militante campanha americana para quebra-la e destruí-la.

A Guerra Fria acabou quando uma ou ambas superpotências reconheceram o sinistro absurdo da corrida nuclear, e quando uma acreditou na sinceridade do desejo da outra de acabar com a ameaça nuclear. O fim da Guerra não implicou o fim do sistema soviético, embora ambos os fenômenos estivessem ligados. As perspectivas do socialismo como alternativa global dependiam de sua capacidade de competir com a economia mundial capitalista; ficou claro que o socialismo estava ficando para trás em ritmo acelerado. Não era mais competitivo.

As duas superpotências estenderam e distorceram demais suas economias com uma corrida armamentista maciça e muito dispendiosa, mas o sistema capitalista mundial podia absorver os 3 trilhões de dólares de dívida. Não havia ninguém, interna ou externamente, para absorver a tensão equivalente dos gastos soviéticos (representavam uma proporção muito maior da produção soviética). Os EUA tinham visto seus dependentes transformarem-se em economias tão florescentes que superavam a sua própria. Os aliados e dependentes dos soviéticos jamais andaram sobre os próprios pés.

Mas não foi o confronto hostil com o capitalismo e seu superpoder que solapou o socialismo, e sim a junção de seus próprios defeitos econômicos. Foi a interação da economia do tipo soviético com a economia mundial capitalista, a partir da década de 1960, que tornou o socialismo vulnerável. O paradoxo da Guerra Fria é que o que derrotou e acabou despedaçando a URSS não foi o confronto.

 Serviços secretos profissionalmente paranoicos continuaram suspeitando que cada medida do outro lado fosse um astuto truque para desarmar a vigilância do inimigos derrota-lo com mais facilidade. A guerra fria transforma o panorama internacional, eliminara inteiramente todas as rivalidades e conflitos que moldavam a política mundial. Segundo, a guerra congelara a situação internacional, o que estabilizara um estado de coisas, sem significar paz. Exceto na Europa, a guerra fria não foi uma era em que se esqueceu a luta. Dificilmente houve um ano entre 1948 e 1989 sem um conflito armado.

 É provável que as consequências do fim da Guerra Fria teriam sido enormes de qualquer modo, mesmo que ele não coincidisse com uma grande crise na economia capitalista e com a crise final da União Soviética e seu sistema. 

A Propaganda Facista

A propaganda foi talvez a melhor das armas empregadas pelo fascismo para chegar ao poder. Primeiramente, porque dispunha do dinheiro do grande capital, o que lhe permitia fazer uso dos melhores meios e equipamentos de comunicação. Além disso, o fascismo soube utilizar habilmente esses meios para transformar a defesa que fazia do grande capital em um anticapitalismo inofensivo, conquistando assim amplas camadas da população. A habilidade propagandística do fascismo vem de sua própria concepção de povo, de massa. Para o fascismo, as massas eram incapazes de compreender as idéias abstratas, só conheciam os sentimentos simples e extremados e eram incapazes de ter opiniões próprias. As opiniões lhes deveriam ser impostas e seus sentimentos manipulados por meio de imagens e idéias simples, que lhes despertassem um fanatismo dinâmico e um histerismo autêntico. Hitler afirmava que a maior mentira, dita em frases curtas e repetida sempre, transformava-se na maior verdade.

Mais bem elaborada na Alemanha, a propaganda do fascismo baseou-se nessa concepção de povo e procurou despertar seus mais baixos instintos. Grandes massas foram conquistadas através de modernos meios de comunicação, além do emprego maciço de símbolos visuais, da utilização predominante do discurso oral sobre os impressos, dos grandes comícios organizados como se fossem grandes espetáculos e dos desfiles uniformizados, que atraíam milhares de pessoas e provocavam histeria coletiva.

Socialismo

A Segunda Internacional Socialista

No final do século XIX, com a expansão do capitalismo industrial, houve um crescimento do número e um processo de diversificação da classe operária. Estes fatores, mais a concentração dos trabalhadores nas grandes indústrias, favoreceram a multiplicação dos grupos sindicais, não só em quantidade, mas também em mais altos níveis de organização. Todo esse contexto contribuiu para o desenvolvimento do socialismo, fazendo com que este tomasse dimensão ainda mais internacional, ultrapassando as fronteiras da Europa Ocidental, chegando até os EUA, África do Sul, América Latina, etc.
O Socialismo, a partir de então, institucionalizou-se em partidos políticos autônomos, a princípio vários e pequenos, fragmentados em diversos grupos de ação. Posteriormente, a noção de que a ação em escala nacional proporcionaria melhores resultados, fez com que estes partidos fragmentados se unissem em partidos nacionais. Os novos partidos de alcance nacional foram fundamentais para a disseminação do socialismo e para a luta dos socialistas pela participação e controle do aparelho de Estado, através de eleições e outros mecanismos de participação popular na política.
Esta expansão não foi homogênea, acontecendo de forma diferente em cada região, dependendo da tradição sindical e partidária de cada país. Exemplos desta distinção são: a Inglaterra, onde os sindicatos dos trabalhadores fabris (Trade Unions) foram o veículo pelo qual o socialismo se implementou; a Alemanha, onde o partido social democrata dirigia as organizações sindicais; e a França onde o socialismo e sindicalismo se desenvolveram paralelamente.
A partir de 1876 ressurge e se fortalece a idéia de ligações internacionais entre estas seções nacionais. Em 1888, apesar da resistência da social-democracia alemã, e de Friederich Engels, planejou-se a organização de um Congresso Internacional para o ano seguinte em Paris, comemorando o centenário da queda da Bastilha. Houve dois congressos distintos, um predominantemente marxista e outro sindicalista. O Congresso marxista foi organizado por Engels e pela social-democracia alemã, juntamente como o partido operário francês. Estes, excetuando a facção francesa, a princípio eram contra a nova internacional, dada a grande diversidade de pequenos partidos que impossibilitariam a unidade de ação.
O congresso predominantemente marxista é considerado o primeiro congresso da II Internacional, pois teve representantes de vinte e três países e nações, enquanto que o dito “sindicalista” não obteve continuidade por divergências internas e pela pouca representatividade já que dele só participaram, além de uma parte dos ativistas franceses, os sindicalistas britânicos.
Neste congresso, em 1889 na cidade de Paris, discutiu-se a proposta de uma legislação internacional baseada na jornada de trabalho de oito horas, entre outras reivindicações, e a da abolição dos exércitos nacionais. Foi neste congresso que foram lançadas as bases para a comemoração do dia do trabalho, tendo sido organizada uma manifestação para o dia primeiro de maio em prol de tais reivindicações.
Esta nova Internacional caracterizou-se por manter reuniões periódicas, envolvendo as diversas tendências socialistas onde se decidiam resoluções a serem cumpridas por todos os partidos nacionais, contudo, respeitando as autonomias nacionais destes mesmos partidos.
 
cartaz do Partido Socialista ItalianoNa década de 1890 a Internacional decidiu a exclusão dos anarquista, dadas as divergências ideológicas em relação à ação política, pois para eles a Internacional não deveria participar de eleições, nem se utilizar dos aparelhos estatais para realizar as ações revolucionárias.
Apesar do pluralismo doutrinal, a Internacional Socialista era bastante organizada, devido principalmente ao surgimento de instituições de caráter centralizador, como o “Escritório Socialista Internacional” (BSI) e a “Comissão Socialista Interparlamentar” (CIS).
Com o acirramento das disputas imperialistas que culminaram na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), houve um esvaziamento da Internacional, pois a lealdade dos socialistas migrou do internacionalismo para a defesa nacional (união sagrada). Apesar de ter perdido força, mobilizou-se contra a Guerra, considerada fruto dos antagonismos nacionais, e contra a causa proletária, enquanto a Internacional era o caminho para a fraternidade dos povos e o fim das desigualdades.
Mesmo a Internacional não sendo feita para tempos de guerra (Kautsky), esta foi importante nas lutas contra o militarismo, contra o imperialismo e a favor da paz “encarnando o velho sonho de um mundo reconciliado, ela indicou com grandeza e oportunidade que a emancipação da classe humilhada continha realmente em si a emancipação da humanidade. Ela pretendeu ser uma prefiguração da fraternidade humana reconquistada.” (Annie Kriegel).